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Horário de Verão, mais luz natural, mais aventura nos canyons. Por Luiz Fernando Soares

Como o Horário de Verão poderia influenciar positivamente (ou não) as trilhas, expedições e nas demais modalidades praticadas na região dos canyons de Santa Catarina e Rio Grande do Sul?

O debate sobre o retorno do Horário de Verão — suspenso no Brasil desde 2019 — voltou a ganhar força em 2025. A proposta prevê que, entre novembro de 2025 e março de 2026, os relógios sejam adiantados em uma hora nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O argumento central é aliviar o consumo de energia elétrica no horário de pico, reduzir custos operacionais do sistema e auxiliar a preservação de reservatórios hídricos que estão em níveis preocupantes.

De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o Horário de Verão poderia reduzir em até 2,9% a demanda máxima no período de ponta (18h às 20h), com economia estimada em aproximadamente R$ 400 milhões. Além disso, a menor pressão sobre o uso das térmicas poderia garantir melhor aproveitamento da água nos reservatórios, algo essencial em momentos de estiagem prolongada.

 

Mais luz natural, mais aventura nos canyons

Para além das questões energéticas, o impacto mais direto para a região dos canyons Aparados da Serra e Serra Geral, localizados entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, está no turismo de aventura. A adoção do Horário de Verão significa, na prática, uma hora a mais de luz no fim da tarde, ampliando o tempo útil e seguro para atividades como trilhas, cavalgadas, ciclismo, escalada, observação da paisagem e registros fotográficos.

Nos cânions Itaimbezinho e Fortaleza, que concentram a maior parte das visitas, muitas vezes as trilhas precisam ser encerradas por volta das 16h para garantir segurança no retorno. Com o Horário de Verão, seria possível estender a permanência dos visitantes, sem o risco de escuridão nos trajetos de retorno.

O horário de verão dá um ganho de tempo e favorece não apenas a experiência turística, mas também a operação dos guias e condutores locais, que poderiam oferecer roteiros mais diferenciados.

Outro ponto importante é a segurança: em áreas de penhasco, mata fechada e terrenos acidentados, a visibilidade natural é fundamental para reduzir acidentes. A luz estendida no fim do dia pode evitar que turistas dependam de lanternas improvisadas ou de sinalização deficiente em meio ao mato.

 

Reflexos para a economia e para a logística

A extensão da luz solar também gera reflexos no setor de hospedagem e gastronomia rural, que poderá ofertar atividades vespertinas mais atrativas, como piqueniques ao pôr do sol, observação de aves, música ao ar livre e cavalgadas em horário tardio. Isso tende a aumentar o tempo médio de permanência do visitante e, consequentemente, sua contribuição para a economia local.

No entanto, há desafios. Trilhas como a do Rio do Boi, Piscinas do Malacara e a Trilha do Tigre Preto, que são realizadas no interior do cânion Itaimbezinho, Malacara e Fortaleza, possuem trechos de mata densa e sombreamento natural. Nesses casos, o Horário de Verão não elimina totalmente os riscos de visibilidade reduzida, exigindo que guias, condutores e operadoras ajustem o planejamento dos grupos. Além disso, o calor mais intenso no fim da tarde durante o verão pode tornar algumas caminhadas desgastantes, principalmente para turistas menos preparados fisicamente.

 

Será um aliado estratégico?

Se no campo da energia elétrica o Horário de Verão ainda gera divergências entre especialistas, no turismo de aventura da região dos canyons a tendência é que ele seja percebido como um aliado estratégico.

A luz significa mais tempo para explorar, contemplar e se encantar com a grandiosidade dos paredões e trilhas que fazem dos Aparados da Serra um destino único no Brasil. Claro que nunca esquecendo de todos os cuidados com a segurança na experiência dos visitantes.

 

Questões a refletir:

– Operadoras, guias e os condutores já estão preparados para adaptar os roteiros caso o Horário de Verão seja confirmado?

– A infraestrutura (sinalização, transporte de retorno, estradas vicinais, entre outros) é ou está suficiente para suportar o uso ampliado no final do dia?

– Como os gestores da visitação pública do Parque Nacional de Aparados da Serra e do Parque Nacional da Serra Geral vão lidar com essa nova janela de uso, garantindo segurança  e conservação ambiental sem sobrecarga dos espaços?

 

 

 

Até a próxima matéria !!

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