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Surtos de sarampo: a urgência de vacinar crianças e jovens

A hesitação vacinal, que é quando famílias adiam ou recusam vacinas mesmo quando disponíveis voltou a ganhar destaque no Brasil e no mundo, com impactos diretos na cobertura de vacinação de crianças e jovens e na reemergência de doenças que antes estavam controladas. Estudos mostram que os motivos para essa hesitação variam conforme classe social, níveis de escolaridade e percepções de risco, misturando desinformação, dificuldades de acesso e desconfiança nas instituições de saúde.

Em entrevista ao programa Nacional Jovem, a pesquisadora Márcia Thereza Couto, que há mais de uma década estuda o tema, explicou que os motivos para a hesitação vacinal variam entre diferentes grupos sociais. Segundo ela, enquanto famílias de menor renda muitas vezes enfrentam dificuldades de acesso aos serviços de saúde, em grupos de maior escolaridade pesam fatores como desconfiança, medo de efeitos colaterais e a circulação de desinformação, especialmente nas redes sociais.

O tema ganha urgência em meio ao cenário epidemiológico atual: o estado de São Paulo confirmou o segundo caso de sarampo em 2025, em um homem de 27 anos que não estava vacinado e havia viajado ao exterior reforçando que a doença ainda circula em outras partes das Américas e pode voltar a se espalhar quando a cobertura vacinal diminui. O sarampo é uma doença altamente contagiosa e pode causar complicações graves, especialmente entre crianças pequenas que não receberam as doses recomendadas do imunizante. A cobertura com duas doses da vacina tríplice viral é essencial para garantir a imunidade de grupo e proteger toda a população jovem e adulta. 

De acordo com Márcia Couto, enfrentar a hesitação vacinal exige mais do que campanhas pontuais. É preciso investir em comunicação clara, escuta das famílias, fortalecimento da atenção básica e reconstrução da confiança da população nas políticas públicas de imunização, especialmente quando o foco são crianças e jovens, que dependem das decisões dos adultos para estarem protegidos. 

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