
Vivemos em uma época em que redes sociais como Instagram e TikTok deixaram de
ser apenas espaços de troca de fotos e vídeos para se tornarem plataformas poderosas
que moldam comportamentos, influenciam decisões e impactam sociedades inteiras.
Seja na construção de marcas pessoais, no consumo de entretenimento ou na
disseminação de informações, o poder dessas plataformas é inegável — mas também
complexo.
O que as pesquisas dizem sobre Instagram e TikTok
Estudos acadêmicos recentes revelam que tanto o Instagram quanto o TikTok
influenciam o comportamento dos usuários de maneiras diversas. Uma pesquisa que
empregou o Technology Acceptance Model (TAM) mostrou que fatores como
utilidade percebida, facilidade de uso e o tempo de uso influenciam atitudes dos
usuários em relação à publicidade nessas plataformas — com o TikTok enfatizando o
entretenimento e o Instagram a informação como principais fatores de experiência para
os usuários.
Além disso, pesquisas voltadas à saúde mental e bem-estar destacam que o uso
intenso dessas redes pode estar associado a padrões problemáticos de engajamento e
impactos emocionais. Um estudo correlacional envolvendo usuários de Instagram e
TikTok encontrou associações entre maior tempo de plataforma e indicadores de bem
estar prejudicado, incluindo sintomas relacionados à autoestima e depressão,
especialmente entre usuários mais jovens.
Outro estudo centrado em adolescentes mostrou que, para meninas, o impacto
psicológico percebido do uso de Instagram e TikTok foi mais negativo do que para
meninos — possivelmente ligado à pressão pela imagem corporal e à validação externa.
Universidades como a Baylor University também exploraram como a imersão nessas
plataformas cria padrões de comportamento problemático e sintomático de vício
digital, associando o estado de “telepresença” (sentir-se presente no mundo digital) a
maior ansiedade e uso compulsivo.
Redes sociais como ferramentas de marketing,
comunicação e expressão
As redes sociais não são unidimensionais. Seu impacto positivo é igualmente
documentado em estudos que analisam como Instagram e TikTok são utilizados para
fins educativos, motivacionais e comunicativos. Por exemplo, pesquisas mostram que
conteúdos educativos e estratégias de marketing nessas plataformas podem aumentar
motivação e engajamento, inclusive em ambientes de aprendizagem e para marcas
pessoais ou empresariais.
No campo do marketing digital, o uso de redes sociais permite atingir públicos
segmentados com precisão, gerando reconhecimento de marca e conexão direta com
consumidores em tempo real — algo impensável em décadas anteriores.
O algoritmo como protagonista da influência.
Uma das grandes forças por trás do poder das redes sociais é o algoritmo —
especialmente no TikTok, cuja página “For You” (Para Você) usa recomendação
baseada em comportamento para maximizar o tempo de engajamento. Isso cria um ciclo
em que conteúdos mais assistidos geram mais sugestões similares, amplificando
tendências culturais e moldando o que milhões veem e consomem diariamente.
Esse modelo, ao mesmo tempo em que impulsiona conteúdos virais, tem sido criticado
por amplificar conteúdos problemáticos — como discursos tóxicos ou desinformação
— e por tornar o consumo quase automático, levando alguns críticos a comparar a
experiência digital à dependência de substâncias, em termos da forma como afeta a
atenção e o comportamento coletivo.
Do engajamento ao impacto social
Instagram e TikTok também criaram fenômenos culturais novos: desde movimentos
sociais viralizados, causas e hashtags que mobilizam milhões, até oportunidades de
carreira para influenciadores, artistas e empreendedores que encontram nessas
plataformas um palco global.
Por outro lado, a pressão por conformidade estética, a necessidade de validação por
meio de “likes”, seguidores e retorno imediato com vídeos curtos pode afetar a
autoestima e o senso de identidade dos usuários, principalmente jovens — um alerta que
pesquisadores, educadores e psicólogos têm chamado atenção nos últimos anos.
Conclusão: um poder multifacetado.
O poder das redes sociais não é monolítico. Ele tem o potencial de elevar vozes,
estreitar conexões e democratizar acesso à informação e oportunidades — mas também
carrega desafios reais de saúde mental, manipulação automática de conteúdo e
dependência digital.
Como qualquer tecnologia poderosa, o impacto final depende de como nós, como
sociedade, aprendemos a usar essas ferramentas, com consciência dos riscos e
aproveitando seus benefícios. O diálogo entre academia, plataformas e usuários é
essencial para garantir que Instagram, TikTok e outras redes continuem a ser espaços de
criatividade, expressão e transformação — e não ambientes dominados apenas por
algoritmos e consumo compulsivo.
Referências (seleção de estudos citados)
- Setianto, A. et al. The Influence of Sponsored Advertising on Social Media
Users — análise de influências comportamentais no Instagram e TikTok. - Estudo sobre uso de Instagram e TikTok e bem-estar emocional (Journal of
Technology in Behavioral Science, 2024). - Pesquisa com adolescentes sobre impacto percebido de redes sociais (UPF &
UOC, 2025). - Desenvolvimento de conteúdo e engajamento em Instagram vs. TikTok
(International Journal of Cultural and Social Science). - Uso de redes sociais como mídia educacional e motivacional (Journal of
Chemistry Education Research).

